sexta-feira, 19 de julho de 2013

I. S. Pedro de Rates entre a lenda e história


No concelho da Póvoa de Varzim, há uma beata recente, a Beata Alexandrina, e um santo antigo despromovido, S. Pedro de Rates. Em paróquias vizinhas.
Com S. Pedro de Rates aconteceu o mesmo que a não poucos outros “santos” cuja existência histórica se não podia garantir: entrou pela porta da lenda, saiu pela do rigor histórico.
Imagem moderna de São Pedro de Rates na vila do seu nome.
Foi no século XVII que começou o movimento bolandista que se propôs expurgar da veneração dos fiéis os santos de muito duvidosa existência. Depois de longamente estudado e debatido o caso de S. Pedro de Rates, foi ele finalmente despromovido da alta honra de patrono da Arquidiocese Braga em 15 de Maio de 1985, passando S. Martinho de Dume, um santo que deixou escritos, a ocupar o lugar de padroeiro por ele deixado. O padroeiro da paróquia de S. Pedro de Rates é S. Pedro apóstolo e primeiro papa.

Quem conta um conto…

A lenda em geral parece ser um produto de sucessivas gerações, de sucessivas reflexões populares sobre este ou aquele fenómeno: quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto.
Não longe de Rates há ao menos três celebradas lendas: a da Abadessa Berengária (de Santa Clara de Vila do Conde), a do Galo de Barcelos e a do Monge e o Passarinho (do Mosteiro de Vilar de Frades). Em todas elas a imaginação não teve peias a criar milagres: a Abadessa Berengária chamou por momentos à vida as abadessas que a precederam, na lenda do Galo de Barcelos há um frango cozinhado que canta para atestar a inocência dum condenado, na do Monge e do Passarinho o monge que meditava sobre a frase bíblica que diz que mil anos diante de Deus são como um dia vem a saber que o que lhe pareceu alguma dezena de minutos em que ouviu a ave correspondeu ao decurso de 300 anos.
Antiquíssima imagem de um bispo que se encontra no Museu de Rates.
A de S. Pedro de Rates, que ultrapassa estas em força miraculosa, parece ter-se desenvolvido em muito pouco tempo – princípios do século XVI – e ter tido um aproveitamento rápido e oportunista. Em muito pouco tempo pois há razões plausíveis para crer que algumas décadas antes não era conhecida ou não existia e oportunista pois Braga tinha sido recentemente renovada e a lenda dava-lhe agora um grande santo da era apostólica.

Fumo sem fogo?

Mas fica por explicar como entra Rates nesta história. Porquê Rates?
Uma lenda costuma estar ancorada a qualquer facto, qualquer realidade.
Parece-nos que aqui há dois factos: Rates como passagem do caminho de Santiago e uma antiquíssima e tosca estátua dum bispo.
Imagem de S. Pedro de Rates que se venera na igreja românica do seu nome.
S. Pedro de Rates foi imaginado como bispo e discípulo de S. Tiago. Daqui a fazer dele primeiro bispo de Braga era distância rápida de percorrer.

Um lugar na história

Há um notável legado histórico, que nós conhecemos mal mas que ficou do despromovido S. Pedro de Rates e que deve ser estudado e divulgado. É um pouco como a Batalha de Ourique, não se travou, mas o escudo nacional recorda-a nas quinas[1].
Entre as imagens que adornam a parte superior exterior do pórtico da Sé de Braga figura uma de S. Pedro de Rates.
S. Pedro de Rates tem estátua sobre o pórtico da Sé de Braga, tem capela dentro dela, há uma capela dele em Vila Nova de Cerveira, dá nome a uma vila brasileira, está em muitos e respeitáveis livros.
O que sobre ele escreveu o P.e Avelino de Jesus Costa n'O Bispo D. Pedro, vol. I, páginas 509 a 511, convenceu-nos inteiramente do carácter lendário da sua biografia. Para partilhar com os leitores um pouco do que sobre este santo estudámos, colocamos aqui três trechos.
Painéis de azulejo na antiga Capela de São Pedro de Rates na Sé de Braga. À direita, trasladação das relíquias do pretenso santo, à esquerda, sua veneração.

Patranha delirante

O P.e Carvalho da Costa, pelo ano de 1700, resumiu assim, na sua Corografia Portuguesa (tomo primeiro, páginas 177-178) a absurda, delirante patranha da “biografia” de S. Pedro de Rates[2]:

Nesta ilustre cidade primaz de toda a Espanha (refere-se Braga), pregou a Lei Evangélica o apóstolo Santiago, irmão do evangelista S. João, e deixou por primeiro arcebispo dela a S. Pedro de Rates, que o ressuscitou mais de quinhentos anos depois de morto, com admiração de todos os que tiveram notícia desta prodigiosa ressurreição, e o baptizou, pondo-lhe o nome de Pedro no baptismo em memória do Príncipe dos Apóstolos, S. Pedro.
Foi hebreu de nação, natural da Palestina, de uma das tribos sacerdotal ou real vencidas e levadas cativas à cidade de Babilónia por Nabucodonosor, como se colhe dos fragmentos de Santo Atanásio[3]. Seu pai se chamou Urias e parece aquele a quem El-Rei Joaquim mandou tirar a vida por lhe pregar o que ele não queria ouvir e o refere em sua profecia Jeremias seu contemporâneo, cap. 26.
Teve S. Pedro de Rates o mesmo dom de profecia que seu pai; saiu desterrado, com os mais cativos de Babilónia pelos anos da criação do mundo 4743, conforma a conta dos Setenta, e 587 antes da vida de Cristo.
Do nome que então tinha não sabemos, só nos consta que os do seu tempo e os que depois se seguiram lhe chamavam Samuel o mais Moço ou Malaquias o mais Velho, pela semelhança que tinha na santidade com os profetas Samuel e Malaquias, de quem há grande memória na Sagrada Escritura.
Era na formosura do rosto e composição dos membros qual verdadeiramente pedia o nome de Malaquias, que conforme os melhores intérpretes significa Anjo do Senhor.
Busto de S. Pedro de Rates do museu da Matriz de Vila do Conde.
Saiu com os seus naturais da cidade de Babilónia à província de Espanha quando a ela foram mandados por Nabucodonosor e foi sua morada na Província de Entre Douro e Minho e foi cidadão da cidade de Braga, como diz Caledónio e o refere Hugo, na qual não sabemos os anos que teve de vida nem se nela tomou a morte.
Como quer que fosse, Santiago o ressuscitou e baptizou, ordenando-o logo de sacerdote, e o fez primeiro arcebispo de Braga e pregador daquela cidade, onde, depois de converter muito gentios à fé de Cristo e sarar de lepra a uma filha do senhor daquela terra, baptizando-a com sua mãe, e persuadindo-a a guardar castidade, foi morto por mandado do dito senhor e sacrificado diante do altar da Igreja de Rates, onde esteve seu santo corpo desde o ano do Senhor de 44, em que padeceu, até o de 1552, em que foi trasladado pelo arcebispo D. Frei Baltazar Limpo para a sé desta cidade aos 17 de Outubro, dando-lhe capela particular à mão direita da capela-mor.
O livro espanhol España Sagrada dá relevo a S. Pedro de Rates.

A denúncia dum historiador

Mons. José Augusto Ferreira, que paroquiou Vila do Conde nas décadas iniciais do século passado, escreveu assim sobre São Pedro de Rates no seu livro Memórias para a História dum Cisma, a páginas 27 a 32:

A Igreja de Braga, no Norte, considera S. Pedro de Rates como seu primeiro bispo e fá-lo discípulo de S. Tiago, e a Igreja de Évora, no Sul, tem como seu primeiro apostolo e bispo S. Manços ou Mâncio, cuja existência alguns referiram aos tempos apostólicos.
As biografias de S. Pedro de Rates e de S. Mâncio, insertas nos breviários privativos das duas dioceses, são absolutamente rejeitadas pelos críticos modernos.
S. Mâncio nunca foi bispo de Évora nem de parte nenhuma, nem o Martirológio romano lhe dá essa categoria.
De facto o Martirológio a 15 de Maio traz apenas esta lacónica indicação: Eborae in Lusitania sancti Mancii martyris[4], e a opinião comum é a de que S. Mâncio foi martirizado no século V no domínio dos Visigodos[5].
Quanto a S. Pedro de Rates, o Martirológio diz realmente a 26 de Abril que este santo fora o primeiro bispo de Braga: Bracari in Lusitania sancti Petri martyris, primi ejusdem civitatis episcopi.
Mons. José Augusto Ferreira desmontou a lenda de S. Pedro de Rates nas suas obras.
Mas em que época viveu S. Pedro de Rates? Donde era natural? Não se sabe; pois a biografia deste santo não indica a terra da sua naturalidade nem as datas do seu nascimento e morte.
Quando começou S. Pedro de Rates a ter culto na diocese de Braga?
Foi no século XVI que o grandioso arcebispo D. Diogo de Sousa, segundo restaurador de Braga, ordenou que no Breviário bracarense, impresso em 1508, se introduzisse pela primeira vez S. Pedro de Rates, com lições próprias, que o fazem discípulo de S. Tiago Maior, primeiro bispo de Braga e martirizado no lugar que lhe deu o nome; e o mesmo sustentou na segunda edição de 1511 e na terceira de 1512.
Disse pela primeira vez, porque a primeira impressão do Breviário bracarense foi feita no governo do arcebispo D. Jorge da Costa II em 1494 e ali não se encontra S. Pedro de Rates[6].
Mais: na Sé de Braga guardava-se no túmulo[7], em que se reserva a S. Eucaristia na sexta-feira santa, um breviário pequeno manuscrito em pergaminho do meado do século XV, o qual também não menciona S. Pedro de Rates.
Também a portuguesa Monarquia Lusitana não esquece S. Pedro de Rates.
Ora esta omissão toma um carácter grave, sabendo-se que aqueles breviários, quer impressos, quer manuscritos, inserem a 12 de Abril S. Victor, mártir bracarense, e que a ladainha dos santos, deixando no olvido S. Pedro de Rates, inclui aliás S. Martinho, S. Frutuoso e S. Geraldo, bispos de Braga!
Finalmente João Pedro Ribeiro, nas suas Observações de Diplomática Portuguesa, a pág. 23, diz que, visitando o mosteiro de Travanca, em Amarante, encontrou no cartório um breviário bracarense, manuscrito em letra do século XV, e nele notou que estando ali insertos S. Martinho de Dume, S. Vicente, S. Túrbio, S. Frutuoso, S. Geraldo, S. Tiago Interciso e S. Manços, não estava S. Pedro de Rates!
Como explicar, pois, esta ignorância de catorze séculos, isto é, que durante mais de mil anos, não se soubesse em Braga da existência histórica de S. Pedro do Rates, seu primeiro bispo, discípulo dos Apóstolos, e martirizado dentro da própria diocese, e não muito longe da sua sede? Como conciliar esta ignorância com a existência do monumento mandado levantar a S. Pedro de Rates pelo Conde D. Henrique e D. Tereza, no ano de 1100, na freguesia do mesmo nome, concelho da Povoa de Varzim, diocese de Braga?
Ora sendo este monumental templo dedicado a S. Pedro de Rates, debaixo desta invocação entenderiam os antigos S. Pedro, primeiro bispo de Braga, ou aliás outro do mesmo nome, provavelmente S. Pedro Apostolo?
Além da rua com o seu nome que aqui se assinala, em Vila Nova de Cerveira há mesmo uma capela dedicada a S. Pedro de Rates.
É certo que os cronistas mencionam duas trasladações das relíquias de S. Pedro de Rates; contudo a primeira em 1152 referida por D. Nicolau de Santa Maria[8] e ordenada pela rainha D. Mafalda, esposa de D. Afonso Henriques, dentro do mesmo templo para um túmulo decente, é manifestamente fabulosa; pois os Cónegos Regrantes de Santo Agostinho nunca habitaram o mosteiro de Rates nem a rainha Mafalda lho doou no dito ano de 1152; porquanto nas Inquirições de D. Afonso III do ano de 1258[9] lê-se que o Prior de Rates ajuramentado e interrogado declarou, com a confirmação de todos os depoentes, que a igreja de Rates era do padroado real, porque o Conde D. Henrique e D. Tereza a haviam doado aos monges de Santa Maria da Caridade, da Ordem de Cluny[10], de que possuíam bons títulos; por consequência no século XIII não estavam em Rates os Cónegos Regrantes, do contrário alegariam, como resulta patente, a doação de D. Mafalda de 1152, por ser para eles o seu documento basilar ou inicial naquela casa.
Mais: o cronista beneditino Frei Leão de S. Tomás cita, por conta do seu colega Frei João do Apocalipse, um capítulo da visitação do ano 1113 deixado pelo visitador do Ordinário Gonçalo Anes, em que ordenava a Jorge da Póvoa, cura do mosteiro de Rates, que enterrasse uma ucha ou cofre de relíquias falsas com que neste mosteiro se explorava a piedade dos fiéis, pertencendo uma daquelas relíquias a S. Pedro; mas se em Rates estavam as relíquias autênticas deste santo, cuja trasladação o cronista augustiniano afirma se fizera no século XII, por que motivo não tinham os frades uma dessas relíquias na ucha, que por ser um embuste o visitador mandou enterrar?
Como se vê, não há comentário possível.
Quanto à segunda trasladação das relíquias de S. Pedro de Rates, não há dúvida de que em 17 de Outubro de 1552 o arcebispo de Braga D. Frei Baltazar Limpo as fizera transferir com toda a solenidade da Igreja de Rates para a Sé Primaz[11], e aqui lhes deu lugar num sepulcro de pedra colocado na capella absidal de S. Pedro Apostolo, onde se encontram à veneração dos fiéis com esta singela inscrição no invólucro de madeira — Beati Petri de Ratis Corpus; mas essas relíquias seriam autênticas? De que meios de verificação dispunha o arcebispo para o saber?
Francamente, depois do exame, embora ligeiro, das tradições da Igreja de Braga sobre S. Pedro de Rates, não repugna acreditar a afirmação feita pelo erudito Padre António Pereira de Figueiredo, num interessante estudo elaborado a pedido do arcebispo de Braga D. Gaspar de Bragança no ano de 1771[12], de que a base, em que se fundou D. Baltazar para aquela trasladação, não passava dum embuste do poeta Henrique Caiado, natural de Lisboa e falecido em Benfica no ano de 1508.
A fabulosa ressurreição de S. Pedro de Rates, a que se alude nos magníficos azulejos da sua capela na Sé Primaz, pintados pelo eminente azulejista António de O1iveira Bernardes, e descrita na reforma do Breviário bracarense feita por D. Rodrigo de Moura Telles, essa foi há muitos anos posta de parte, porquanto as lições do ofício deste santo são recitadas pelo Códice Moderno, ordenado pelo cardeal-arcebispo D. Pedro Paulo no ano de 1853, precisamente as mesmas do Breviário de D. Diogo de Sousa.
Na verdade esta ressurreição não passava dum delírio do Padre Higuera!
Rematando direi que, supondo-se fabulosa a pregação de S. Tiago na Península, a biografia de S. Pedro de Rates, que o faz discípulo daquele apostolo e por ele ordenado bispo de Braga, é nesta parte inaceitável; porém se os defensores da missão apostólica de S. Tiago na Espanha pretendem fundamentar a sua tese na tradição da Igreja de Braga, aí a deixo examinada com toda a sinceridade, e desse exame resulta patente que tal tradição, além de ser nova na sua substância, pois apenas data do século XVI, é ainda muito discutível nas suas circunstâncias principais e portanto sem os requisitos necessários para a validade e legitimidade do seu testemunho.

Pode ler em linha o livro de Manuel Monteiro S. Pedro de Rates em cuja página 41 e seguintes também se denuncia a lenda do santo da Vila de Rates.

Limoges chegou a considerar-se terra natal do primeiro bispo de Braga

Veja-se ainda esta página de um site bracarense:

A tradição que atribuía a S. Tiago a ressuscitação em Braga de S. Pedro de Rates repercutiu-se de tal modo na Europa ocidental que a cidade francesa de Limoges considerou-se, mais tarde, terra natal desse lendário bispo bracarense. O sobrenome Rates deste prelado teve origem no sítio onde foi martirizado no ano de 47 por ordem de um régulo romano de Braga. Porém, um bispo francês de época recuada, citado pelo Arcebispo de Braga D. Rodrigo da Cunha em 1635, apresenta a versão fantasiosa de que S. Pedro de Rates fora buscar o sobrenome a Limoges, que o terá venerado com os nomes de S. Pedro Ratense ou Ratistense. 
Embora pretendam entroncar a lenda de Compostela com a que remonta ao ano de 47 em Padrão, que indica ter sido para aqui levado o corpo de S. Tiago, ainda assim é S. Pedro de Rates, como bispo de Braga e primaz das Espanhas, que aparece em Padrão a presidir às cerimónias de consagração da sepultura do apóstolo, segundo reza outra antiga tradição.
À luz do testemunho de Atanásio, atribui-se a S. Pedro de Rates o milagre de ter curado da lepra a filha e a mulher de um régulo romano de Braga. As duas mulheres converteram-se, mas o régulo, enfurecido com a conversão, mandou-o perseguir. Segundo a lenda, os soldados às ordens do régulo mataram esse “1.º Bispo” de Braga e das Espanhas em Rates, perto da Póvoa de Varzim, e cobriram o corpo de pedras e assim permaneceu até ter sido encontrado por um eremita, S. Félix. 
Cartaz da festa de São Pedro de Rates em Guaçuí, Brasil.

Outros autores

Dos muitos autores que escreveram sobre São Pedro de Rates, conhecemos apenas os já citados mais o que se encontra na España Sagrada e na Monarquia Lusitana. Os autores destes monumentais livros aceitam a historicidade do santo, mas não recolhem as enormidades mais gritantes, a de ele ter sido ressuscitado por Santiago vários séculos após a morte, por exemplo.

Capela de São Pedro de Rates em Vila Nova de Cerveira

Em 27 de Agosto de 2013, visitámos Vila Nova de Cerveira, que vivamente nos impressionou, e naturalmente não deixámos de visitar a Capela de São Pedro de Rates.
No posto de turismo, onde perguntámos por ela, a funcionária, aliás diligente, não a soube localizar, enviando-nos para a vizinha capela de São Roque. Aí, porém, um senhor já de certa idade não só no-la localizou como nos indicou até a casa da proprietária. Esta, por nós abordada, prontificou-se a mostrar-nos a capela e inclusive nos levou no seu carro até lá.

Tanto quanto sabemos, esta capela particular de São Pedro de Rates é única no mundo e é uma reedificação de raiz feita em 1946. A construção é boa e o pequeno templo está bem mobilado, mas sem luxos.
A fachada principal é coberta a azulejo. Mas dizer isto é dizer pouco. Se os azulejos não nos mostram quadros da vida do santo, por exemplo, são variados nos seus desenhos e formam uma cuidada composição artística, de base geométrica, em tons de azul (predominante) e amarelo.

Sobre a porta principal, vê-se a data de 1946 e a seguir o brasão da família benfeitora; ao alto, no frontão, alguns elementos enviam para a dignidade do santo: mitra e báculo, que lembram que foi bispo, e, ao que nos pareceu, uma cruz processional.


A capela possui um amplo adro onde crescem várias oliveiras.

Imagens da Capela de São Pedro de Rates:
Em cima, a capela e o seu exterior;
Ao meio, retábulo do altar-mor com a imagem do santo;
Ao fundo, pormenor da fachada com a data da reconstrução e o brasão da família benfeitora.


[1] Não se sabe bem qual o Ourique onde localizar a lendária batalha, mas ninguém hesita em dizer que S. Pedro de Rates é de Rates... Esta vila devia assumi-lo como património seu e pôr em evidência o reconhecido lugar que ele teve no campo cultural.
[2] Em O Bispo D. Pedro, o P.e Avelino de Jesus Costa escreve: “O venerável D. Frei Caetano Brandão nomeou uma Comissão para a 'reforma do Breviário e Missal bracarense, visto achar-se intolerável o antigo, por causa das patranhas e falsidades de que está cheio'” (Vol. II, pág. 511).
[3] O mesmo jeito fantasioso levou a atribuir a fundação de Lisboa ao homérico Ulisses, a de Setúbal ao bíblico Túbal…
[4] Nos Breviários antigos de Évora de 1528 e 1548, e no novo de 1702, está a 21 de maio, como se vê dos exemplares daquelas duas edições existentes na Biblioteca Nacional de Lisboa, e da cit. España Sagrada,
XIV, págs. 386 e segs.
[5] Floro, no Martirológio, que compôs no tempo de Carlos Magno, e as Actas antigas de S. Mâncio dizem que fora criado de uns judeus de Évora: o da profissão de fé, causa do seu martírio, deduz-se claramente que não morrera antes do século v. Cf. España Sagrada. XIV, págs. 122 e segs., e 386 e segs.
[6] Deste Breviário existe um raríssimo exemplar na Biblioteca Nacional de Lisboa.
[7] Este Breviário existe hoje na Biblioteca Publica de Braga, onde também está o Breviário bracarense, manuscrito mais antigo, que é do século xv e pertenceu ao Cónego Álvaro Fernandes Soeiro.
[8] Crónica dos Cónegos Regr. de Santo Agostinho, Liv. VI, cap. XIII, pág. 331 e segs.
[9] Cf. Vol. LXXVI da colecção Ciência e Religião.
[10] Em Cluny seguia-se a regra de S. Bento.
[11] Breviário bracarense a 17 de Outubro, e Cunha, Hist. Ecl. de Braga, cap. LXXXII, págs., 359 e 360.
[12] Sena Freitas, Memórias de Braga, I, pág. 393 e segs.

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